TRIBUNAL

Justiça decide se advogado que teria jogado namorada do 8º andar vai a júri em BH

A também advogada Carolina da Cunha Pereira França Magalhães, de 40 anos, morreu em 2022 no bairro São Bento, na região Centro-Sul de BH

Por José Vítor Camilo
Publicado em 27 de maio de 2025 | 17:16

Deve ser definido, na próxima quarta-feira (28 de maio), o futuro do advogado que é acusado de ter jogado do 8º andar de um prédio do bairro São Bento, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, a ex-namorada, também advogada, Carolina da Cunha Pereira França Magalhães, de 40 anos. O crime aconteceu em 2022 e, nesta terça-feira (27), tiveram início as oitivas das testemunhas para a definição se o réu irá ou não a júri popular. 

Neste primeiro dia, foram ouvidas no 1º Tribunal do Júri Sumariante de BH oito pessoas indicadas como testemunhas da acusação. Para o segundo dia, que terá início às 9h, estão previstos os depoimentos de oito testemunhas de defesa. Em seguida, o acusado deverá ser interrogado. 

Conforme o Fórum Lafayette, após a conclusão dos procedimentos, a juíza Ana Carolina Rauen definirá, em sua sentença final, se existem elementos para que o caso seja julgado por um júri popular. Entretanto, a magistrada também pode decidir pela impronúncia, absolvição ou desclassificação do crime. 

Carolina deixou dois filhos que, hoje, estão com 22 e 24 anos. Pelas redes sociais, amigos e parentes usam a hashtag #JustiçaPorCarol para cobrar a punição do acusado.

Relembre o caso

Em novembro de 2024, a família e os amigos da advogada Carolina França denunciaram que precisaram esperar por dois anos para que o principal suspeito da morte da mulher fosse denunciado na Justiça. O ex-namorado de Carolina é acusado de homicídio triplamente qualificado. 

Em junho de 2022, Carolina caiu do 8º andar de um prédio no bairro de classe alta de BH. Inicialmente a morte foi tratada como suicídio, porém, desde o começo, a família refutou a hipótese.

“Para nós, familiares, amigos, os filhos e todos que a conheciam, falar que a Carol se suicidou não fazia sentido, não condizia com o perfil dela, nem com a situação que ela vivia. Já o relacionamento dos dois era complicado, eles já tinham terminado inúmeras vezes, mas ele não aceitava, perseguia ela de carro pela cidade. Agora, com a conclusão do inquérito (em agosto), a Polícia Civil o indiciou por homicídio triplamente qualificado, sendo uma tipificação por feminicídio”, disse na época o irmão da vítima, Demian Magalhães.

Além do indiciamento da Polícia Civil, o advogado também foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

“Desde o começo ele (o namorado) interferiu nas investigações. Ele é estranho. O relacionamento era confuso. Ela mandava mensagem para as amigas contando as coisas que aconteciam, ela até chegou a enviar um e-mail para ela mesma com uma lista de coisas que ele chegou a fazer”, acrescentou o irmão. Apesar de existirem registros de agressões físicas, o irmão da advogada afirma que amigas já identificaram sinais de lesões no corpo da mulher.