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Galípolo é aprovado pelo Senado e assume a presidência do Banco Central em 2025
Galípolo foi indicado pelo presidente Lula e substituirá Roberto Campos Neto no comando do Banco Central
BRASÍLIA — Gabriel Galípolo é o futuro presidente do Banco Central (BC). A indicação do nome dele para o cargo feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o apoio dos senadores em votação no plenário nesta terça-feira (8). Ele sucederá Roberto Campos Neto, que encerrará o mandato como presidente da instituição em dezembro.
Antes, Galípolo foi submetido ao escrutínio dos senadores que compõem a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em uma sabatina que durou cerca de quatro horas entre a manhã e o início da tarde. A sessão terminou com aprovação unânime da indicação de Galípolo — a votação foi concluída com 26 manifestações favoráveis a ele e nenhuma contrária.
Temas como a autonomia do Banco Central, a política monetária e a relação com Lula apareceram nas perguntas feitas pelos senadores a Galípolo. Ele fugiu de polêmicas e afirmou que o presidente garantiu a ele liberdade para atuar à frente da instituição. “Nunca sofri nenhuma pressão do presidente Lula. Jamais sofri. Seria leviano dizer que o presidente Lula exerceu qualquer pressão sobre mim”, disse.
Galípolo também não cedeu às provocações sobre a rixa entre aliados de Lula e Campos Neto. Ele ainda itiu que gostaria ter colaborado para uma relação mais estável entre o petista e o presidente do BC, indicado ao cargo pelo à época presidente Jair Bolsonaro (PL).“Sinto que gerei uma grande frustração quando cheguei ao Banco Central. Algumas pessoas pensaram que minha chegada [como diretor] fosse dar início a grandes disputas no Banco Central”, declarou em referência ao início do mandato dele como diretor de Política Monetária do BC no ano ado.“Mas, minha relação com os presidentes Lula e Roberto é a melhor possível. Não tenho queixas a nenhum deles. Sinto não poder corroborar com a ideia de que haveria polarização”, acrescentou.
De braço-direito de Haddad à diretoria mais importante do Banco Central
A desconfiança da oposição e de grupos do mercado com Gabriel Galípolo é fruto da relação que ele mantém com a equipe econômica de Lula. O indicado à presidência do BC se aliou ao núcleo petista ainda à época da campanha para a presidência da República. Com a derrota de Jair Bolsonaro (PL) candidato à reeleição, Galípolo ganhou espaço no ministério chefiado por Fernando Haddad e se tornou o braço-direito do principal ministro de Lula.
A presença do economista na Esplanada dos Ministérios não durou. O presidente decidiu indicá-lo à diretoria de Política Monetária do Banco Central, a mais importante da instituição, menos de seis meses depois dele assumir o cargo de secretário-executivo da Fazenda. Os diretores do BC cumprem mandatos fixos de quatro anos. À época, Lula também indicou Ailton de Aquino para a diretoria de Fiscalização.
Oito diretores e o presidente do BC compõem o Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por decidir o rumo da taxa de juros no Brasil. Hoje quatro desses diretores são indicados de Lula; os outros quatro restantes e o atual presidente ocupam os cargos por indicação de Jair Bolsonaro, quando ainda era presidente.
A Lula interessa ter maioria no Copom por uma política monetária menos conservadora que a adotada até o momento. Essa é a principal divergência entre os petistas e o atual presidente do Banco Central — Lula o criticou publicamente em incontáveis ocasiões pela condução da política de juros, considerados altos pelo núcleo duro do PT.
Aliás, quando Lula indicou Galípolo para a diretoria de Política Monetária, o mercado viu como um indício que ele seria o nome do Planalto e de Haddad para comandar a instituição.